Existem sinais que podem indicar a necessidade de investigação mais aprofundada. É importante destacar que apresentar um ou mais desses sinais não significa que a criança seja autista, mas aponta para a importância de buscar avaliação especializada. Abaixo estão alguns dos sinais mais observados: 

  1. Dificuldade em manter contato visual com outras pessoas em situações do dia a dia;
  2. Atraso ou ausência na fala, dificuldade de iniciar ou manter conversas;
  3. Pouco interesse por interações sociais, preferindo brincar sozinho ou afastar-se de grupos;
     
  4. Comportamentos repetitivos, como balançar as mãos, alinhar objetos ou repetir sons;
  5. Fixação intensa por objetos ou temas específicos, demonstrando interesse restrito;
     
  6. Dificuldade em compreender emoções ou expressões faciais de outras pessoas;
     
  7. Reações sensoriais incomuns, com maior ou menor sensibilidade a estímulos como sons, cheiros, texturas ou luzes;
     
  8. Dificuldade para lidar com mudanças na rotina, demonstrando grande desconforto com imprevistos;
     
  9. Brincadeiras pouco imaginativas, restritas a usos repetitivos de objetos ou ausência de faz-de-conta;
     
  10. Pouca ou nenhuma resposta ao ser chamado pelo nome, mesmo sem alterações auditivas. 


Em alguns casos, estratégias como o uso de coletes ou cobertores ponderados podem ajudar a criança a lidar melhor com estímulos sensoriais excessivos, favorecendo o conforto e a autorregulação.  

Aspectos metabólicos: o que a ciência mostra 

Além dos aspectos comportamentais e de comunicação, estudos recentes indicam que algumas crianças com autismo podem apresentar alterações metabólicas e gastrointestinais, como constipação intestinal, diarreia frequente, alergias alimentares, intolerâncias e desequilíbrios na microbiota intestinal

Pesquisadores como a Dra. Martha Herbert (Universidade de Harvard), o Autism Research Institute e o National Institute of Mental Health (NIMH) destacam que compreender esses fatores pode ajudar no cuidado global da criança, contribuindo para uma abordagem mais individualizada

Apesar de relevantes, essas alterações não são critérios diagnósticos por si só, mas podem ser investigadas em conjunto com a equipe de saúde.  

Níveis de suporte no autismo 

O DSM-5 classifica o Transtorno do Espectro Autista em três níveis de suporte, que indicam o grau de apoio necessário para que a criança consiga lidar com desafios relacionados à comunicação social e aos comportamentos restritos ou repetitivos. Essa classificação não define a criança, mas ajuda pais, professores e profissionais a compreenderem melhor quais recursos, adaptações e estratégias terapêuticas são mais indicados em cada caso. 

O Nível 1 é definido como Requer Suporte e se refere a crianças que apresentam dificuldades sutis na interação social e na comunicação, mas que conseguem desenvolver autonomia com apoio pontual e adaptações simples. É o caso de crianças que podem frequentar escola regular com pequenas adequações pedagógicas ou com apoio de um mediador. 

O Nível 2, chamado de Requer Suporte Substancial, envolve déficits de linguagem e interação mais evidentes. É comum a necessidade de uso de comunicação alternativa, como PECS, além de terapias estruturadas e suporte pedagógico mais intensivo. Mudanças na rotina podem ser especialmente desafiadoras. 

Já o Nível 3, definido como Requer Suporte Muito Substancial, engloba crianças que apresentam déficits severos de comunicação funcional, interações sociais muito limitadas e comportamentos restritos ou repetitivos intensos. Em geral, é necessário acompanhamento constante para tarefas básicas do dia a dia, além de suporte terapêutico e escolar altamente individualizado.  

Como confirmar o diagnóstico de autismo? 

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista deve ser realizado por profissionais capacitados, geralmente uma equipe multiprofissional composta por neuropediatra, psiquiatra infantil, psicólogo ou neuropsicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional.

O processo é clínico, baseado em entrevistas detalhadas com a família, observação direta da criança e aplicação de escalas específicas, como o ADOS-2 (Autism Diagnostic Observation Schedule) ou o ADI-R (Autism Diagnostic Interview-Revised)

Embora não exista um exame laboratorial que confirme o autismo de forma isolada, alguns exames genéticos, laboratoriais ou de imagem podem ser solicitados para descartar condições associadas, investigar síndromes genéticas e avaliar possíveis alterações neurológicas. É essencial que os profissionais envolvidos orientem a família com clareza, ofereçam acolhimento e expliquem cada etapa do processo.  

Quais acompanhamentos um autista deve ter?

Após o diagnóstico, o acompanhamento deve ser contínuo e individualizado, com intervenções baseadas em evidências científicas. Entre as terapias mais indicadas estão a ABA (Análise do Comportamento Aplicada), a Fonoaudiologia, a Terapia Ocupacional com Integração Sensorial, a Psicopedagogia para suporte escolar e a Fisioterapia, quando há questões motoras associadas. 

O ambiente escolar também deve ser adaptado às necessidades da criança, com planejamento individualizado, adaptações pedagógicas, uso de recursos de comunicação alternativa e, quando necessário, presença de professor auxiliar ou mediador

Produtos terapêuticos como o Colete Ponderado, a Roupa Sensorial e o Cobertor Ponderado podem ser aliados importantes para promover conforto, regulação sensorial e bem-estar, tanto em casa como na escola e nas terapias. 

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