Você sabia que o autismo pode se manifestar de maneiras diferentes em meninos e meninas? Entenda por que algumas meninas recebem o diagnóstico mais tarde e quais sinais merecem atenção das famílias.
Quando pensamos em uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA), quais comportamentos vêm à nossa cabeça?
Dificuldades para fazer amizades? Movimentos repetitivos? Interesse intenso por determinados assuntos? Sensibilidade a sons, luzes ou texturas?
Essas características podem fazer parte do autismo, mas nem sempre aparecem da mesma maneira.
Durante muitos anos, grande parte do conhecimento científico sobre o autismo foi construída a partir de estudos com meninos. Hoje, pesquisas mostram que algumas meninas podem apresentar características menos reconhecidas, o que contribui para que recebam o diagnóstico mais tarde.
Mas isso não significa que exista um autismo de menino e outro de menina.
O autismo é um espectro, e cada criança apresenta uma combinação própria de características, habilidades e necessidades de apoio.
Vamos entender melhor?
1. Por que o autismo é mais diagnosticado em meninos?
Segundo um levantamento divulgado em 2025 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o autismo foi identificado em aproximadamente 1 a cada 31 crianças de 8 anos nas comunidades norte-americanas pesquisadas.
O mesmo estudo apontou que a identificação do autismo foi cerca de 3,4 vezes mais frequente em meninos do que em meninas.
Esses dados são dos Estados Unidos e não representam diretamente a prevalência brasileira.
Mas existe uma pergunta importante: Será que o autismo realmente é mais frequente nos meninos ou algumas meninas estão passando despercebidas?
A ciência investiga as duas possibilidades.
Diferenças biológicas podem contribuir para essa proporção, mas também existem diferenças na maneira como os sinais são percebidos por familiares, professores e profissionais de saúde.
Uma revisão científica publicada em 2024 destacou que meninas autistas têm maior probabilidade de receber um diagnóstico mais tardio.
Isso significa que muitas podem passar anos enfrentando dificuldades sem compreender o motivo ou receber o apoio necessário.
2. Como o autismo pode se manifestar em meninos e meninas?

Alguns estudos encontraram diferenças médias na apresentação de determinadas características do autismo.
Veja exemplos de como elas podem aparecer:
Característica |
O que as pesquisas observaram |
| Interesses intensos | Em algumas meninas, os temas podem parecer mais comuns para a idade, dificultando o reconhecimento da intensidade do interesse. |
| Movimentos repetitivos | Alguns estudos identificaram movimentos repetitivos mais evidentes ou frequentes, em média, nos meninos. |
| Interação social | Algumas meninas podem utilizar estratégias para imitar comportamentos sociais e disfarçar dificuldades. |
| Sensibilidade sensorial | Pode ser intensa tanto em meninos quanto em meninas, sem diferenças consistentes entre os grupos. |
Esses resultados foram descritos em revisões científicas de Bourson e Prevost (2024) e Edwards e colaboradores (2024).
É importante lembrar que essas são tendências observadas em grupos, e não regras.
Meninas também podem apresentar movimentos repetitivos muito evidentes. Meninos também podem camuflar dificuldades sociais.
O mais importante é não esperar que todas as crianças autistas se comportem da mesma maneira.
3. Por que algumas meninas autistas passam despercebidas?
Imagine uma menina que conversa, participa das atividades escolares, observa suas colegas e costuma ser considerada muito comportada.
Na escola, ela presta atenção na maneira como as outras crianças agem e tenta reproduzir esses comportamentos.
Pode sorrir quando as colegas sorriem, repetir expressões ou ensaiar mentalmente o que vai dizer.
Para quem observa de fora, pode parecer que ela não apresenta dificuldades sociais.
Entretanto, manter esse comportamento pode exigir um esforço enorme.
Esse fenômeno é conhecido como camuflagem social, também chamado de masking.
O que é camuflagem social no autismo?
É quando uma pessoa tenta esconder, compensar ou adaptar algumas de suas características para corresponder às expectativas sociais.
Isso pode acontecer quando a criança:
- Imita gestos e expressões de outras pessoas.
- Força o contato visual, mesmo sentindo desconforto.
- Esconde movimentos repetitivos em determinados ambientes.
- Decora respostas para situações sociais.
- Evita demonstrar que está sobrecarregada.
Um estudo de Hull e colaboradores (2017) investigou a camuflagem social em adultos autistas, mostrando como essas estratégias podem influenciar a percepção das dificuldades e o bem-estar.
Embora esse estudo tenha sido realizado com adultos, ele ajuda a compreender um comportamento que também vem sendo investigado em crianças e adolescentes.
Uma revisão científica posterior também encontrou associação entre maior camuflagem e dificuldades de saúde mental, como ansiedade. Isso não significa que a camuflagem seja a causa dessas condições, mas reforça a importância de compreender o esforço envolvido nessas interações.
Conseguir esconder uma dificuldade não significa que ela deixou de existir.
4. Interesses intensos: nem sempre são fáceis de reconhecer
Uma das características do autismo é a presença de interesses muito intensos ou específicos.
Mas existe um detalhe importante: o assunto de interesse pode fazer com que algumas características sejam menos percebidas.
Por exemplo, imagine uma menina que gosta muito de determinado personagem. Ela conhece todos os episódios, memoriza detalhes, fala repetidamente sobre o assunto e tem dificuldade para mudar o tema da conversa. Como gostar de personagens é algo comum na infância, as pessoas podem não perceber a intensidade desse interesse.
O mesmo pode acontecer com animais, livros, músicas, desenhos e outros temas.
Um estudo de revisão publicado por Bourson e Prevost (2024) identificou que os interesses de algumas meninas autistas podem se aproximar dos interesses considerados comuns entre meninas da mesma idade.
Isso pode dificultar seu reconhecimento durante a avaliação.
Por isso, o que merece atenção não é apenas o assunto, mas também:
- A intensidade do interesse.
- A frequência com que a criança fala ou pensa sobre ele.
- A dificuldade para mudar de atividade ou assunto.
- A influência desse interesse na rotina.
Gostar muito de bonecas, dinossauros, animais ou personagens não é, isoladamente, um sinal de autismo.
O contexto e o conjunto de características do desenvolvimento precisam ser considerados.
5. As alterações sensoriais são diferentes em meninos e meninas?
Muitas crianças autistas percebem e respondem aos estímulos do ambiente de maneira diferente.
Sons, luzes, cheiros, texturas e movimentos podem provocar reações intensas.
Em outros momentos, a criança pode procurar determinados estímulos para se sentir mais confortável ou organizada.
Isso acontece porque o processamento das informações sensoriais pode funcionar de maneira diferente.
No dia a dia, essa experiência pode aparecer quando a criança:
- Tapa os ouvidos diante de determinados barulhos.
- Rejeita roupas por causa das etiquetas ou costuras.
- Procura abraços apertados ou pressão sobre o corpo.
- Pula, balança ou movimenta as mãos repetidamente.
- Apresenta dificuldades para relaxar na hora de dormir.
Esses comportamentos podem ocorrer tanto em meninos quanto em meninas.
Uma revisão científica publicada por Edwards e colaboradores (2024), que analisou 46 estudos, não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre os sexos nas experiências sensoriais avaliadas.
Isso reforça uma mensagem importante: As necessidades sensoriais devem ser compreendidas individualmente, independentemente de a criança ser menino ou menina.
Quer entender melhor como o cérebro recebe e organiza essas informações? Leia também: O que é Integração Sensorial?.
6. Quais sinais merecem atenção nas meninas e nos meninos?
O autismo não pode ser identificado por um único comportamento.
Porém, algumas características, quando persistentes e associadas a diferenças no desenvolvimento, merecem atenção.
Observe, por exemplo, se a criança apresenta:
- Dificuldades frequentes para iniciar ou manter interações sociais.
- Dificuldade para compreender determinadas situações sociais.
- Sofrimento intenso diante de mudanças na rotina.
- Movimentos ou comportamentos repetitivos.
- Interesses muito intensos ou restritos.
- Reações sensoriais que interferem nas atividades diárias.
- Grande esforço para acompanhar as demandas sociais da escola.
Também é importante observar o comportamento da criança em diferentes ambientes.
Uma menina ou um menino que aparentemente consegue acompanhar as atividades escolares pode chegar em casa muito cansado, irritado ou precisando de longos períodos de descanso.
Isso não significa necessariamente autismo, mas pode indicar que existem dificuldades que merecem ser investigadas.
Uma revisão científica de Chellew, Barbaro e Freeman (2024) reforça a importância de ampliar a identificação dos sinais do autismo nas meninas.
O estudo também destaca que, especialmente antes dos seis anos, as semelhanças entre meninos e meninas podem ser maiores do que as diferenças.
Quando procurar ajuda profissional?
Se existem dúvidas sobre o desenvolvimento da criança, é importante buscar orientação de profissionais capacitados em neurodesenvolvimento.
A avaliação pode envolver neuropediatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e outros profissionais, conforme as necessidades identificadas.
O diagnóstico considera o desenvolvimento, a comunicação, as características comportamentais e as informações sobre diferentes contextos da vida da criança.
Não é necessário esperar que todas as dificuldades se tornem evidentes para procurar orientação.
7. Mais importante do que comparar meninos e meninas é entender cada criança
O autismo pode se manifestar de maneiras muito diferentes. Algumas crianças precisam de apoio importante para se comunicar. Outras conversam com facilidade, mas enfrentam desafios nas relações sociais.
Algumas gostam de ambientes movimentados, enquanto outras se sentem sobrecarregadas por estímulos que passam despercebidos para a maioria das pessoas.
Por isso, não existe uma única maneira de ser autista. O objetivo não é fazer a criança se comportar como as outras, mas compreender suas necessidades e oferecer condições para que ela participe, aprenda e desenvolva suas habilidades com qualidade de vida.
E é justamente nesse cuidado individualizado que as estratégias terapêuticas, as adaptações ambientais e os produtos de apoio podem ter seu papel.
8. Como os produtos Amigo Panda podem ajudar no dia a dia de crianças autistas?
Meninos e meninas autistas podem apresentar necessidades relacionadas à percepção corporal, à sensibilidade ao toque, à busca por pressão profunda e à organização sensorial.
Além das terapias e das adaptações na rotina, alguns recursos sensoriais podem ser considerados para oferecer conforto e apoio nas atividades diárias.
O Amigo Panda desenvolve produtos que oferecem estímulos táteis e proprioceptivos, respeitando as necessidades individuais de cada pandinha.

Desenvolvido com malha de compressão suave, oferece estímulos proprioceptivos que podem favorecer a percepção corporal e proporcionar sensação de conforto para crianças que gostam desse tipo de pressão.
Pode ser utilizado durante atividades da rotina, conforme a tolerância e a indicação individual.

Cobertor Ponderado Panda
Possui peso distribuído sobre o corpo, proporcionando estímulo de pressão profunda.
Algumas crianças podem gostar dessa sensação durante momentos de descanso. Entretanto, pesquisas ainda não demonstraram melhora consistente do sono em crianças autistas com seu uso.
A indicação precisa considerar a segurança, a idade e as condições motoras e respiratórias da criança.

Lençol Sensorial de Compressão
Proporciona uma sensação de contenção suave, semelhante a um abraço.
Pode ser considerado para crianças que demonstram preferência por esse tipo de estímulo, desde que consigam movimentar-se e sair do produto com segurança. Seu efeito sobre a qualidade do sono não está bem estabelecido cientificamente.

Oferece estímulos de pressão profunda sobre a região dos ombros e parte superior do tórax.
Pode ser considerada durante atividades sentadas, como estudar, brincar ou assistir a um filme, para crianças que se sentem confortáveis com esse tipo de estímulo.
9. Conclusão: o autismo não tem uma única aparência
Durante muito tempo, algumas meninas autistas podem ter passado despercebidas porque suas características não correspondiam à imagem mais conhecida do autismo.
Hoje, a ciência mostra que precisamos ampliar esse olhar.
Uma menina que conversa, faz amizades ou apresenta bom desempenho escolar também pode ser autista.
Da mesma forma, um menino que não apresenta movimentos repetitivos evidentes pode precisar de avaliação.
Mais importante do que buscar diferenças entre meninos e meninas é compreender que cada criança possui sua própria maneira de sentir, aprender, se comunicar e participar do mundo.
No Amigo Panda, acreditamos que informação de qualidade, acompanhamento profissional e cuidados individualizados ajudam as famílias a construir rotinas com mais conforto, participação e possibilidades.
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Referências científicas
- CDC – Centers for Disease Control and Prevention. (2025). Prevalence and Early Identification of Autism Spectrum Disorder Among Children Aged 4 and 8 Years — United States, 2022. MMWR. Consultar estudo.
- Chellew, T., Barbaro, J., & Freeman, N. C. (2024). The Early Childhood Signs of Autism in Females: A Systematic Review. Review Journal of Autism and Developmental Disorders, 11, 249–264. Consultar artigo.
- Bourson, L., & Prevost, C. (2024). Characteristics of Restricted Interests in Girls with ASD Compared to Boys: A Systematic Review of the Literature. European Child & Adolescent Psychiatry, 33, 987–1004. Consultar artigo.
- Edwards, H., Wright, S., Sargeant, C., Cortese, S., & Wood-Downie, H. (2024). A Systematic Review and Meta-Analysis of Sex Differences in Restricted and Repetitive Behaviours and Interests in Autism. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 65(1), 4–17. Consultar artigo.
- Hull, L., et al. (2017). “Putting on My Best Normal”: Social Camouflaging in Adults with Autism Spectrum Conditions. Journal of Autism and Developmental Disorders, 47, 2519–2534. Consultar artigo.
- Khudiakova, V., Russell, E., Sowden-Carvalho, S., & Surtees, A. D. R. (2024). A Systematic Review and Meta-Analysis of Mental Health Outcomes Associated with Camouflaging in Autistic People. Research in Autism Spectrum Disorders, 118, 102492. Consultar artigo.
- Gringras, P., et al. (2014). Weighted Blankets and Sleep in Autistic Children—A Randomized Controlled Trial. Pediatrics, 134(2), 298–306. Consultar artigo.
Este artigo possui finalidade educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individualizada por profissionais de saúde.


















